20 de out de 2009

Billi e Capitão Jonas


Bom ler ouvindo essa música legal.

Estava contando pra Sandra sobre um bonequinho que eu tenho desde os meus 10 anos, o Capitão Jonas. E vou falar de novo sobre meu amigo "Ska", que já se encontra lá no céu. Para quem nao sabe a história do inicio, leia aqui a postagem. O Capitão Jonas foi comprado junto com o outro bonequinho (estilo aqueles que eram de plástico em forma de índios americanos e cowboys. Lembram?) O outro bonequinho quem tinha era o Ska. Eu e Ska brincávamos com esses bonequinhos, o dele era o Billi. O Ska disse assim:
Jr.Quando a gente tiver em perigo, o Billi e o Capitão Jonas vão nos ajudar. Aquelas coisas de crianças, sabe? Que se agarram em coisas tão simples, tão sem valor, mas a fantasia boa é essa. Quem foi criança e não teve algum bichinho, brinquedinho ou até aquela manta que não desgrudava de jeito nenhum?

Acreditem que eu tinha uma manta azul com estampa de céu, estrelinhas e tal, quando iam lavar a manta, eu ficava embaixo onde ela estava pendurada chorando, ficava la esperando ela secar. E pra onde eu ia arrastava minha manta. E foi assim até meus 04 anos de idade. Depois deram chá de sumiço na minha manta. Minha mãe me contou, depois, que jogaram fora e simularam um enterro da manta para que eu soubesse que ela tinha ido pro céu. E eu tongo, acreditei.


Voltando ao assunto do Billi e do Capitão Jonas, nós fizemos uma promessa, tínhamos que levar o Billi e o Capitão Jonas sempre com a gente, até o fim. E até hoje, para onde eu for o Capitão Jonas vai junto. Ele fica sempre no meu criado mudo perto da minha lanterna do HELP (aquela lanterna para me ajudar quando falta luz. Tenho fobia de escuridão total).

O Ska morreu e levou o Billi. Foi complicado colocar o Billi no bolso dele. Porque precisei ir no velório. E chegar perto (não consegui fechar os olhos) e vi meu amigo no caixão (agora ta explicado né, porque eu não vou em velórios). E coloquei o bonequinho no bolso dele. Conforme havíamos combinado.

Daí, e o meu Capitão Jonas? Próximo de mim, só minha mãe sabe sobre isso porque contei a ela no ano passado. Que, caso ocorra algo comigo e eu vá antes dela, que ela não se esqueça de colocar o bonequinho junto comigo. (Apesar de que o coitado vai ser cremado).

E vamos ser lançados ao mar. Naquela praia que vocês (é vocês que me conhecem, sabe bem de qual lugar estou falando). Daí, a Sandra me disse algo: - Mas se a sua mãe for antes, quem vai fazer isso? Você precisa contar pra mais pessoas. Suas filhas, ou seus amigos. Ah, daí pensei: contarei pros meus filhos e pra minha futura esposa, né? E pronto.

Voces podem estar pensando: “Que coisa assim desse tipo, coisa de criança, não se deve levar a sério”. Ah é? E o que eu devo levar a sério? As notícias ruins que eu vejo todo dia na TV? Ou péssimos exemplos que eu vejo por aí no mundo? Levei a sério com 10 anos de idade. E levo a sério hoje com 25 anos. Porque ontem, eu me lembrei do meu amigo. E se a forma de lembrança veio em forma de um simples e antigo bonequinho... não importa. Se todas as bobeiras das nossas vidas fossem assim... seríamos tão humanos, tão sensíveis...
Quando éramos crianças, Hassan e eu subiamos nos choupos da entrada da casa de meu pai e ficávamos chateando os vizinhos, usando um caco de espelho para mandar reflexos de sol para as suas casas. Sentávamos um defronte do outro, nos galhos mais altos, com os pés descalços pendurados no ar e os bolsos das calças cheios de amoras e nozes secas. Ficávamos nos alternando com o espelho enquanto comíamos amoras, jogando frutos um no outro, entre risinhos e gargalhadas. (Cap. Dois - Caçador de Pipas)
Por você, faço mil vezes!
Quem teve infância, quem teve amigo, quem teve um bonequinho, sabe e me entende perfeitamente.

4 comentários:

Dri Viaro disse...

eu tive uma infancia maravilhosa, brinquei muito, aproveitei muito!!
eu chupava o dedo, mas minha mãe me fez dar ela pro coelhinho da páscoa hehehe
bjsss

LL disse...

Linda a tua história, Diego!

Eu não tenho nenhum boneco de estimação, nunca fui muito apegada a bonequinhos. As minhas bonecas duravam pouco tempo, porque eu tinha a mania de estudar anatomia com elas. Mas estudava aos soluços: agora um braço depois o outro, mais tarde uma perna e finalmente examinava o couro cabeludo deixando-as carecas... uma lástima!
Mas guardo ainda todos os livros e livrinhos que recebi ao longo da vida, até aqueles com 'santinhos' e orações infantis! Cada maluco com sua mania! E não me venhas dizer que isso é infantil ou que não deve ser levado a sério, porque eu não gosto!!

Abraços!
Luísqa

Sandra F. disse...

Você é um homem com alma de criança.
Sabe, concordo com a Luísa, já lhe falei antes, é uma história bonita.
Eu nunca tive um brinquedo em que me apeguei tanto. Já o Tsunamizinho sim, é um leãozinho, mas já percebo que essa afeição será temporária rsrs.
Emocionante! Beijo.

Elen disse...

Vc é um ser especial por manter a sua palavra...

digno de um adulto com alma de criança!!!

abraços cheirosos

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