7 de jul de 2009

Um simples troca de olhares

"Quando tentamos entender a vida do ponto de vista de outra pessoa nasce a empatia, fundamental para unir amigos e solidificar amores e relações de trabalho. Veja o que pesquisadores franceses, de filósofos a fisiologistas especialistas em comportamento, concluíram depois de mergulhar no assunto.
Quantas vezes dizemos “coloque-se no meu lugar” ou “coloque-se no lugar dele”? Como conseguimos sentir as emoções de outra pessoa ou mesmo pressentir suas intenções e compreender suas motivações? Como podemos adotar o ponto de vista de alguém e, ao mesmo tempo, manter nossa identidade? Essas questões têm a ver com a empatia, uma faculdade essencial para as relações humanas e para a vida em sociedade.
E esse é só o começo da história. Na França, as investigações de uma equipe de e
specialistas resultou no livro recentemente lançado L’Émpathie (A Empatia), uma obra coletiva que trata do tema sob diferentes aspectos – do fisiológico e psicológico ao neurológico, passando pelo filosófico e ético.

Sem essa capacidade de adotar o ponto de vista do outro, o mundo seria habitado por psicopatas e autistas, concluem os pesquisadores. Mesmo existindo também em alguns primatas e pássaros e nos golfinhos, é no homem que se desenvolve de forma mais elaborada.

O poder de um olhar

Mais do que pela linguagem, é pelo olhar que a empatia se manifesta no ser humano. Graças aos avanços dos estudos das imagens do cérebro, sabe-se hoje que o contato do olhar ativa a amígdala (região do cérebro onde se processam algumas sensações) e todo o sistema de emoções. “A troca de olhar é a forma mais fundamental de compreensão e aceitação do outro”, nota Alain Berthoz, diretor do Laboratório de Fisiologia da Percepção e da Ação, do Collège de France.

Segundo ele, na troca do olhar encontramos três componentes da empatia: 1) eu te olho; 2) você me olha, mas eu devo compreender o que esse olhar, experimentado por nós e dirigido para mim, significa; e 3) nasce da troca do olhar um elo que não pertence nem mais a mim nem a você, mas ocorre entre nós. “Isto é, de repente percebo esse elo que nos liga no mundo como se sobrevoasse a cena. Eu nos percebo juntos como um objeto no mundo”, diz ele, explicando que essa empatia é a qualidade que garante as relações em que há a liberdade para escolher pontos de vista pró
prios.

Simpatia é outra coisa

É preciso, antes de tudo, não confundir empatia com
simpatia, assinala o francês Gérard Jorland, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Sociais e um dos organizadores da obra. Designa-se por empatia a capacidade de se colocar no lugar do outro para tentar compreender seus sentimentos sem necessariamente experimentar as mesmas emoções. A simpatia, ao contrário, consiste em experimentar as emoções do outro sem necessariamente se colocar no lugar dele. A simpatia é um contágio de emoções, sendo o riso em cadeia um exemplo típico. Da mesma maneira que podemos chorar ao ver alguém chorar, porém sem saber o motivo. A empatia pode alimentar a simpatia, mas esta não é uma conseqüência necessária, acrescenta Élisabeth Pacherie, filósofa do Instituto Jean-Nicod. Compreender o sofrimento ou a alegria que ele sente, se colocando no lugar do outro, não implica o desejo de ajudá-lo. “O objeto da empatia é a compreensão, e o objeto da simpatia é o bem-estar do outro. (...) Em resumo, a empatia é um modo de conhecimento e a simpatia um modo de encontro com o outro”, define o psicólogo americano Lauren Wispe.

Perceber x entender
A empatia não é só um instrumento de conhecimento da outra pessoa mas também do mundo e de nós mesmos, diz Elisabeth Pacherie. A filósofa elaborou um esquema de “anatomia da emoção”. Imagine, por exemplo, Simone brava com Jacques por ter sabido que ele quebrou a peça mais preciosa de sua coleção de vasos chineses. Trata-se de uma reação a uma situação. Mas, enquanto Simone não souber que seu vaso foi quebrado, ela não tem motivo para estar brava e, enquanto não souber que o autor foi Jacques, também não terá por que estar chateada com ele. Mais ainda, pode ser também que o vaso nem tenha sido quebrado, e que o marido de Simone tenha mentido para ela de brincadeira.

Em certos casos, não é nem mesmo necessário que as situações que provoquem emoções sejam verdadeiras. “A ficção, às vezes, nos emociona mais do que a realidade”, diz a filósofa. A reação de Simone depende ainda de sua avaliação da situação, de seus interesses, motivações, valores, objetivos e desejos. Jérôme, o filho de Simone, que pouco se importa com a coleção de vasos chineses da mãe, poderia, por exemplo, ter recebido a notícia com completa indiferença. Esse é um exemplo para mostrar que os graus da empatia podem ser variados.

Perceber que uma pessoa está triste não significa entender a razão do sentimento e menos o porquê da tristeza. Para Gérard Jorland, vivemos numa sociedade egocêntrica, em que cada um é muito preocupado consigo mesmo. O mundo virtual da internet e dos videogames, se mal utilizado, pode desviar para a falta de troca nas relações. “É um universo fechado, no qual cada um contempla sua imagem, em que se projeta o que se quer em personagens criados”, nota.

Hora de ser empático
O pesquisador, no entanto, é otimista. Acredita que a tendência é que, cada vez mais, as pessoas tenham que considerar o ponto de vista dos outros para viver bem e aceitar as diferenças culturais, intelectuais, afetivas. “Não há dúvida de que hoje existe a falta de empatia, mas isso não quer dizer que ela não exista. As pessoas estão tão preocupadas consigo, que exercem pouco a empatia.” Não perca as chances que a vida dá para ser empático e simpático."

Texto: Fernando Eichenberg

fonte: Bons fluídos


3 comentários:

exoticlic.com disse...

talvez eu fosse bruxa rsrsrs mas não eu consigo sentir o que qualquer pessoa tá sentindo se me foco nela

NoticiasPT disse...

Bom texto.

Dona do Planeta disse...

Passei por aqui pra deixar um abração!!!!
Fica com Deus!

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Intense Debate Comments