22 de abr de 2010

Não foi por acaso





Não foi por acaso
Não foi por querer
Quis ganhar o mundo
Perdi você...
Não sei como pude
Não se pode ser assim
Magoar pessoas
Fazer tanto mal prá mim...
Tá difícil até de respirar
Perceber, ser, estar
Esqueci que um amigo
É feito prá se guardar...
Quis ousar a voz
Na louca vida
Respirei o fino ar
Ao te ver além do infinito
Desejei não desejar...

Eu tive um sonho. Então me diz. Porque você continua invadindo meus sonhos e minha alma?


Quando abri os olhos, eu tive a certeza. Ela estava sentada em um lindo e verde gramado, encostada na árvore e direcionava aqueles olhos em direção a um homem. Podia jurar que ela pensava assim “- só sei olhar pra você”. Estava perdida em alguma fantasia tão possível, tão real. Se ela sonhasse com um amor possível, por que não abria os olhos? E me veria, ali bem diante dos seus olhos...
Em sua mão direita encontrava-se um livro com uma capa antiga, quase amarelada. Na esquerda, anéis e pulseiras que brincavam entre seus dedo e outro.

Gritei seu nome. Meu olhar estava fixo no seu, meu coração estava certo que é essa mulher que eu quero. Mas não podia me aproximar. O orgulho dela construiu uma barreira que impedia minha passagem; O que seria de mim? Quem seria de nós? Eram tantas dúvidas e poucas resposta. A única certeza mesmo era só o amor que eu sinto...De chegar, de tocar, de conhecer. De ler o livro junto com ela.
Ela movimentou seus cabelos (aquele tom engraçado e místico entre o loiro e o ruivo) para que ela pudesse se virar me encarar. Os olhos dela eram cor de mel, simples. O olhar, por sua vez, complexo. Mesmo assim, esse olhar me obrigava a seguir em direção a ela.

Eis que surge uma coragem completamente sem sentido, cresceu subitamente e me fez dar um passo, formar um sorriso. E eu, tão desajeitado e desastrado em minhas proporções, consegui até ser simpático. Houve o choque seco entre dois corpos. Não, éramos mais dois corpos. Éramos apenas nós dois e tudo foi leve como o vento do outono. O vento que chega rápido, sem pedir permissão, mas que agrada.
Mesmo sem autorização, eu me sentei ao lado dela, focando meus próprios pés grandes e desajeitados. Trocamos um olhar em três segundos  que se tornaram eternos. O cheiro de seu perfume, tão pessoal, tão peculiar, misturava-se ao aroma calmo do mês de abril. Abri minha mochila e retirei meu pequeno livro. Persuasão.
Gastamos quarenta minutos eternos de nossas vidas sentados embaixo daquela árvore. Não conseguíamos trocar nenhuma palavra; apenas nossos olhares. Nossa respiração falava tanto de nós,e ela sabia o que eu sabia. Não havia cobrança, não havia formulação lógica. Mas sabíamos…sobre o amor.
Hoje seguimos caminhos diferentes, nos encontramos apenas nos desejos e sonhos.  Andaremos sempre lado a lado (por todo o sempre?) compartilhando aquela mesmo sentimento especial, a nossa experiência encantadora. O poder da mudança que fascina.














E tanto tempo passou sem que a visse. Segui minha vida, outros momentos, com outros tipos. Li outros livros, li outras pessoas – e tenho certeza de que ela também. E não há nada de errado nisso. Sempre me pego pensando nela, perdido em pensamentos do passado. Às vezes tenho certeza de que sou correspondido, em algum lugar.
Foi quando tomei a decisão e resolvi ir até a árvore exterminar aquela ponta de orgulho, a arvore ainda viva, a grama continua verde e quase a mesma (tão forte, impassível  ao tempo igual ao meu amor). E “ELA” - poderia agora já ter outro momento, outro encanto, mas será sempre a minha garota - Ela não estava lá. Me aproximei daquele lugar que só restava sombra solitária e me sentei. Encostei em algo... Era um livro, com capa antiga, quase amarela. O título dizia: OAlquimista.

Só me restou fechar os olhos, e logo senti o cheiro dela perdido no passado. Uma lágrima se formou e não hesitou em rolar na minha face....

12 comentários:

Pró-Letramento Matemática Ptga disse...

Linda história
Romantismo à mooda antiga
Sucessos

Valéria Braz disse...

Dieguito apaixonado... o amor passa enxergar o outro com os olhos da beleza que foi e que permanecerá... é o amor que se lliberta, que se traduz em calma descoberta!
E mesmo que este amor dure eternamente no peito... será através desta nova visão que o coração prepara o terreno para a felicidade!
Se permita ser feliz meu amigo.... olhe ao seu redor e deixe de apenas ver para enxergar....., o amor pulsa esperando por você!
Beijo no coração

Gookz disse...

sofrer, esperar, se arrepender, são alguns dos muitos preços que se paga por gostar de alguém...

Josy Nunes disse...

Oi,
Diego,
adorei o texto, fiquei feliz por ver que deu um tapa no orgulho sentando-se ao lado dela e juntos viveram momentos eternos,únicos.. e hoje o rolar de uma lágrima revela o que viveu e no seu livro não tem páginas em branco, mesmo que por alguns instantes registrou,deixou-se registrar, você escreveu na sua memória e na dela uma bonita história tão sua tão dela.
Bjos no coração e fica com Deus

* ƬℋคƬคℓyScคℓ * * Scaldelai * disse...

Que linda e triste história de amor amigo Dieguito!
E a música nem se fala...

Beijosssssss.........

ÂME PASSIONNÉE disse...

Se eu fosse (...)

eu estaria embaixo dessa arvore ou efetivamente em qqer lugar onde vc estivesse.......

e nós escutariasmos......

http://www.youtube.com/watch?v=AOT42106LB4&feature=related

é muito ruim não se saber......

eu compartilho com vc diego.....

ps.: se precisar de uma bailarina do ventre, pode me ligar.....rssssssss

se vc naum me ligar eu naum vou te atender ok.......

bjocas......

alltheuniverse disse...

Me arrepiei lendo isso. Sua facilidade em falar de amor, de sentimentos tão humanos, junto com todo esse romantismo... É tão lindo!

Abraços,
Mari.

Joselito disse...

Tão perto ... tão longe ...

*lua* disse...

Olá ... gostei e vou voltar

abraços

Sissym disse...

Nunca li o Alquimista, aliás, nada do Paulo Coelho, acredita?! Não é falta de curiosidade... já tive nas mãos e nada li... acho que vai ter o tempo certo.

Eu já sonhei em estar sentada debaixo de uma arvore... observando a vida... a paz absoluta era ao mesmo tempo deliciosa.

Sonhos podem ser lindos.

LISON disse...

QUE POST FANTÁSTICO!
AMIGO DIEGO, a história é repleta de vida, ora o amor está distante, ora o amor está bem perto, o importante é que o orgulho perdeu espaço e surge um novo amanhecer palmilhado na sensibilidade de um novo olhar respirando a leveza.
Parabéns por mais um excelente post!
Abraços,
LISON.

Leila disse...

Interessante que existem várias maneiras de expressarmos a mesma coisa. Já fiz uma pintura, onde eu me representava embaixo de uma árvore, como se fosse um sonho. Já li o livro O Alquimista e gostei muito do final.

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