13 de mar de 2009

O casal, e sua forma peculiar de amar...



E o Vento Levou corretamente é se desarmar de maiores preconceitos e aceita-lo como um produto de sua época: uma grande saga sobre pessoas apaixonadas em tempos de guerra como apenas Hollywood sabia fazer.
O centro de tudo é a personagem de Scarlett O"Hara (Vivien Leigh) e suas ambiguidades em relação aos mistérios do amor e sua esfuziante personalidade.
O beijo na carroça, quando ela é salva do incêndio, tendo ao fundo as chamas, que o technicolor de então oferece num tom vermelho é um assombro, para os padrões da época, entre ela e Rhett, é antológico, e figura em qualquer livro que se queira abrir sobre cinema.

Com personalidades tão definidas, Scarlett O’Hara e Rhett Butler formam um dos mais peculiares casais das telas, podendo ser considerados a antítese de um tradicional par romântico.
(“Ele me olha como se soubesse como fico sem roupas” ela diz ao trocar olhares pela primeira vez com o capitão). Em uma das mais polêmicas cenas do filme, Rhett força Scarlett a ter uma noite de sexo com ele após meses de negação. No dia seguinte, a expressão de satisfação no rosto dela não consegue esconder o prazer sentido na noite anterior.

A Scarlett O’Hara admiro profundamente. Se ela tivesse existido e se eu tivesse tido a sorte de conhecê-la , teria me apaixonado. Apesar de não deixar de reconhecer os defeitos insuportáveis dessa mulher mimada e egoísta. tenho que reconhecer também suas invejáveis qualidades e me sentir gamado por um personagem que é, enfim, fascinante: “Por experiência própria sabia que o mentiroso defende energicamente a sua veracidade, o covarde sua coragem, o grosseiro a sua delicadeza e o tratante sua honra”, é uma das reflexões de Scarlett que acho bem interessante.

Revendo o filme recentemente, lembrei de destacar aqui uma pérola da jovem que, quando pensou o que reproduzo abaixo, estava com 17 anos e ficara viúva - pela primeira vez - há quase um ano. A guerra civil havia estourado também nesse intervalo de tempo e Scarlett estava no baile em que Rhett Butler ganha, num leilão em benefício da Confederação, o privilégio de dançar com ela. A cena do filme é divertida e muito fiel ao livro.
Dança (o reel – espécie de quadrilha que iniciava as danças nos bailes) em que Scarlett e Rhett escandalizam a sociedade confederada.

Ela pode ser vista como a história de uma mulher egoísta que não quer admitir o seu sentimento sobre o homem que ela ama e, finalmente, ele perde. Ela sofre muito, incluindo a destruição de sua casa e da brutalidade da guerra. Apesar de todos estes, ela finalmente descobre seu verdadeiro amor, sua queda infantil e as formas de cura de uma mulher.

Uma curiosidade:
"Vivien Leigh era portadora de uma doença mental muito grave, que interferia negativamente na sua vida pessoal e profissional. Essa doença, denominada na época de transtorno maníaco-depressivo, hoje leva o nome de transtorno bipolar, cujo sintoma é a constante mudança do estado de humor, que varia entre um grande estado de excitação e uma prostrante depressão. Esta doença impediu-a de terminar as filmagens de o caminho dos elefantes, o que fez com que fosse substituída por Elizabeth Taylor. Consta que, por ocasião das filmagens, Vivien teve um caso romântico com o ator principal do filme, o britânico Peter Firth. Numa ocasião, quando estava a bordo de um avião em companhia do amigo David Niven, teve uma grave crise nervosa provocada pela doença e tentou jogar-se porta a fora, sendo impedida por ele. "

Um comentário:

Profª Sandra Bose disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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